Cleyton está chateado pela ausência de Márcia. Tem aparecido puxando assunto, mandando mil mensagens, assombrando as ruas e não aceitando a distância imposta por ela.
Após as primeiras tentativas de contato, que ela refutou para se proteger, Cleyton tem uma nova estratégia: resolveu partir para a ignorância e está tratando Márcia mal.
Manda mensagem implicando com tudo pra ver se chama atenção e não pensa em dar o amor que ela pede.
Nós, amigas, estamos torcendo pela frieza de Márcia. Ela chegou a pensar em responder xingando de volta, e pode tê-lo feito escondida de mim, mas até onde eu sei ela conseguiu respirar e curtir momentos com as amigas.
Márcia entende que o ódio também é um tipo de paixão, e por isso o caminho é buscar uma frieza que ainda nem existe, nem que seja como um teatro, uma proteção.
Cleyton critica o carinho com que Márcia trata a própria vida e chama Márcia de velha em qualquer oportunidade, porque afinal de contas se ela tem 44 e ele tem 42, ela é muito velha.
Cleyton sente-se muito parecido com o Leonardo DiCaprio, e eu mesma acho que ele tem notas de Titanic: apresenta-se como um grande navio, uma grande viagem, o maior de seu tempo.
Quando você vai olhar, não tem bote salva-vidas o suficiente e qualquer gelinho derruba. Sua semelhança ao DiCaprio resume-se ao gosto por novinhas, mas elas não o querem, e Márcia que queria agora não sabe como quis.
A vergonha é um caminho natural nos amores vãos. Observemos a postura de Cleyton. Ele parece aquele ditado do “quem desdenha quer comprar” que minha avó dizia.
Sente falta de Márcia, é claro. Eu também sentiria, Márcia é divertida, inteligente, generosa, bonita, agradável. Márcia tem casa própria e asa própria, cultivou tudo com amigos, família e a própria inteligência.
Encantou-se por Cleyton até perceber que ele queria a presença todos os dias, mas se nunca se comprometer. Moderno e esquerdista, Cleyton era contra rótulos. Ela se sentia constrangida de falar do assunto com ele ou com as amigas.
Ele não era lá muito bom de escuta, e ela foi se sentindo um tanto mal em ficar numa situação tão esquisita. Tardou, mas ela começou a falar, e enquanto se escuta, pede desculpas às amigas por incomodar.
Ora, Márcia, não se desculpe! O silêncio é bom pra quem tem benefícios dele. Quando você fala em voz alta, você vê quanta bobagem você aceitou; mas se não pode nunca falar, fica mais difícil perceber.
E ao contrário do que diz Cleyton, seu jeito de falar não é estúpido, é ótimo. Nós estamos aqui para ouvir. Não apenas eu, como as não sei quantas leitoras desta coluna, que já são contra todos os Cleytons do mundo.
Feito no Espírito Santo.



